Uma equipa de engenheiros e geólogos italianos planeia injectar água do mar nas fundações de Veneza para levantar a cidade 30 centímetros e salvá-la assim das marés e cheias que a vão afundando lentamente.
"A principal vantagem do plano é restituir a Veneza quase a mesma quantidade de centímetros que perdeu debaixo da água nos últimos 300 anos", afirmou Giuseppe Gambolati, responsável pelo projecto.
O plano, de 100 milhões de euros, prevê a abertura de 12 furos com 30 centímetros de diâmetro numa área de 10 quilómetros em volta de Veneza e a bombagem de água do mar no subsolo a 700 metros de profundidade, explicou Gambolati, que é engenheiro e professor na Universidade de Pádua.
A água do mar deverá expandir a areia existente debaixo da cidade, o que, combinado com uma cobertura de argila à prova de água, fará subir o solo, acrescentou.
O engenheiro adiantou que os peritos planeiam fazer os primeiros testes numa pequena área. "Se o projecto-piloto tiver êxito, teremos uma melhoria imediata, embora gradual, já que a elevação total só ficará concluída em dez anos", afirmou.
O projecto está apenas na fase inicial e terá ainda de ser discutido por várias comissões locais, regionais e estatais antes de ser aprovado.
A versão final completará o muito publicitado plano "Moisés", que prevê a construção de uma barreira para minimizar os efeitos das marés-altas.
Todavia o plano de Gambolati já é alvo de críticas, nomeadamente da parte de Michele Jamiolkowski, professor de engenharia geotécnica no Politécnico de Turim, para quem o projecto requer anos de investigações e milhões de euros, antes de estar sequer próximo da realidade.
"Estamos realmente no domínio da ficção científica", comentou este perito, que presidiu à comissão que supervisionou o projecto de estabilização da Torre de Pisa.
Jamiolkowski, a quem foi pedida uma avaliação independente por um grupo ligado ao município de Veneza, considera que o plano só levantaria a cidade cerca de 15 centímetros, e não 30, não dando por isso grande resposta à subida das águas.
Além disso, poderá provocar desnivelamentos do solo, "o que é absolutamente inaceitável para as construções, sobretudo quando se trata de edifícios históricos", sublinhou.
No entanto, segundo estudos preliminares citados por Gambolati, o projecto não deverá afectar a estabilidade de Veneza.
Veneza está ameaçada por água em várias frentes. A cidade está a afundar-se ao mesmo tempo que se eleva o nível do Adriático e se tornam cada vez mais frequentes as marés-altas que a inundam.
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